Os cinco caracteres

Se pudermos registrar a fórmula dos cinco caracteres e deixá-la ao alcance do pensamento teremos boas chances de discernir com mais lucidez entre o que deve e o que não deve ser feito, alcançado, almejado, dito ou não dito, e também com qual ritmo, velocidade e grau desejamos nos comprometer com pessoas, processos e projetos.

A dosagem adequada, no âmbito das considerações sobre a força interior, é uma medida interna – ‘pessoal, parcial, provisória e perspectiva’. A dosagem é calibrada para nosso próprio bem, assim que identificamos nosso centro de equilíbrio. Vale para um novo ciclo ou meta, vale para terapias corporais, para práticas meditativas, para relações e relacionamentos, para atividades de trabalho e para o que mais elegermos.

Uma medida justa, tanto para a dosagem adequada quanto para a força interna, envolve conhecer e balancear nossa capacidade físico-orgânica, nossa manifestação energética e nossa estrutura psicológica.

Mas, e se errarmos na dose? Se precisarmos descansar por um ou mais dias?  Se tropeçarmos ou cairmos enquanto seguimos nossas metas? Bem, vale saber que o excesso de emoção e de importância são formas de vaidade que precisam ser observadas com calma e com paz.  ‘Estejamos preparados: a excitação e o autoelogio (ou seus respectivos inversos) podem nos derrubar imediatamente’. Se acontecer, perceba com leveza; considere que estamos todos em treinamento. Se puder, se fizer sentido, se abstenha da via em que se condena e se pune, porque ela consome sua energia; com menos energia o cenário é confuso e a confusão habilita ciclos de compulsão, frustração e engano. Se puder, se fizer sentido, escolha a via que te eleva, encontre o ponto onde houve a bifurcação e retorne para a trilha que você elegeu – esse é o ciclo do amadurecimento.

‘Com prática e dedicação desenvolvemos a arte de compreender a força; a partir da compreensão da força desenvolvemos habilidades maravilhosas.’ (Wong Kiew Kit)

– Moema Alencar

Princípio quádruplo

Força é aquilo que faz mover: impulso, poder, domínio, esforço, firmeza, energia. Existem as forças de inércia, gravitacional, centrífuga e centrípeta, de atrito, elétrica, magnética e nuclear.

Nas artes marciais o princípio quádruplo do treinamento da força, ensina:

‘Diferenciar o real do aparente,
regular a respiração,
usar a mente e não a força bruta,
permanecer calmo e relaxado durante a ação’.

“A ênfase está no poder da mente e no fluxo intrínseco de energia.” (Wong Kiew Kit)

Quando estamos dando passos no caminho do autodesenvolvimento, percebendo e ajustando as coordenadas de nossas posturas, diálogos e movimentos, ter em conta o princípio quádruplo do treinamento da força pode evitar, neutralizar ou alterar positivamente muitas situações e circunstâncias. Na maior parte das vezes é provável que tenhamos feito exatamente o oposto: supor, presumir, deixar crescer o irreal, ficar ofegante, ter pouco oxigênio, mostrar força física, alterar o tom de voz, ser invasivo e demasiado duro, ter nervosismo e tensão durante a ação. Isso acontece e deixa de acontecer em frações de tempo. Algumas dessas frações são longas o suficiente para comprometer nosso corpo, ambiente e relações. Lembrarmos do princípio quádruplo, memorizá-lo e torná-lo disponível é uma conquista com efeito balsâmico.

– Moema Alencar

O dever de outra pessoa

‘Talvez um dos problemas mais difíceis da era atual seja saber o que é importante, e o que não é; e decidir qual dos problemas que confrontam a humanidade deve receber atenção, e quais não devem; decidir, em resumo, exatamente onde deve-se definir os limites da batalha a ser travada na vida pessoal e individual. Porque parece claro que nenhum mortal comum pode ter a pretensão de enfrentar todos os problemas da raça humana, do país e da comunidade a que ele pertence. Este talvez seja o principal problema: há gente demais querendo fazer coisas em excesso. As pessoas estão tentando ser autoridades em assuntos excessivamente numerosos. Estão aventurando-se muito longe de casa, tanto intelectual como corporalmente, e desperdiçando, ao invés de conservando, as suas energias. Há um adágio que afirma: “o que diz respeito a cada um não diz respeito a mais ninguém”; e ele nos leva a perguntar-nos se a quantidade crescente de problemas não é resultado do fato de que estamos excessivamente inclinados a sobrecarregar-nos com os deveres de outras pessoas, dando pouca atenção aos nossos próprios deveres. “O dever de outra pessoa é cheio de perigo”.’

– A Conservação da Energia da Alma
“Theosophy”, edição de February 1961, pp. 168-172.
Título original: “Conservation of Soul Energy”. Tradução de Carlos Cardoso Aveline.

Caminho áureo

Uma sabedoria antiga: versos de ouro.

Preparação:

01. Honra em primeiro lugar os deuses imortais, como manda a lei.

02. A seguir, reverencia o juramento que fizeste.

03. Depois os heróis ilustres, cheios de bondade e luz.

04. Homenageia, então, os espíritos terrestres e manifesta por eles o devido respeito.

Purificação:

05. Honra em seguida a teus pais, e a todos os membros da tua família.

06. Entre os outros, escolhe como amigo o mais sábio e virtuoso.

07. Aproveita seus discursos suaves, e aprende com os atos dele que são úteis e virtuosos.

08. Mas não afasta teu amigo por um pequeno erro.

09. Porque o poder é limitado pela necessidade.

10. Leva bem a sério o seguinte: Deves enfrentar e vencer as paixões.

11. Primeiro a gula, depois a preguiça, a luxúria, e a raiva.

12. Não faz junto com outros, nem sozinho, o que te dá vergonha.

13. E, sobretudo, respeita a ti mesmo.

14. Pratica a justiça com teus atos e com tuas palavras.

15. E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente.

16. Mas lembra sempre um fato, o de que a morte virá a todos.

17. E que as coisas boas do mundo são incertas, e assim como podem ser conquistadas, podem ser perdidas.

18. Suporta com paciência e sem murmúrio a tua parte, seja qual for.

19. Dos sofrimentos que o destino determinado pelos deuses lança sobre os seres humanos.

20. Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível.

21. E lembra que o destino não manda muitas desgraças aos bons.

22. O que as pessoas pensam e dizem varia muito; agora é algo bom, em seguida é algo mau.

23. Portanto, não aceita cegamente o que ouves, nem o rejeita de modo precipitado.

24. Mas se forem ditas falsidades, retrocede suavemente e arma-te de paciência.

25. Cumpre fielmente, em todas as ocasiões, o que te digo agora.

26. Não deixa que ninguém, com palavras ou atos,

27. Te leve a fazer ou dizer o que não é melhor para ti.

28. Pensa e delibera antes de agir, para que não cometas ações tolas.

29. Porque é próprio de um homem miserável agir e falar impensadamente.

30. Mas faze aquilo que não te trará aflições mais tarde, e que não te causará arrependimento.

31. Não faze nada que sejas incapaz de entender.

32. Porém, aprende o que for necessário saber; deste modo, tua vida será feliz.

33. Não esquece de modo algum a saúde do corpo.

34. Mas dá a ele alimento com moderação, o exercício necessário e também repouso à tua mente.

35. O que quero dizer com a palavra moderação é que os extremos devem ser evitados.

36. Acostuma-te a uma vida decente e pura, sem luxúria.

37. Evita todas as coisas que causarão inveja.

38. E não comete exageros. Vive como alguém que sabe o que é honrado e decente.

39. Não age movido pela cobiça ou avareza. É excelente usar a justa medida em todas estas coisas.

40. Faze apenas as coisas que não podem ferir-te, e decide antes de fazê-las.

Perfeição;

41. Ao deitares, nunca deixe que o sono se aproxime dos teus olhos cansados,

42. Enquanto não revisares com a tua consciência mais elevada todas as tuas ações do dia.

43. Pergunta: “Em que errei? Em que agi corretamente? Que dever deixei de cumprir?”

44. Recrimina-te pelos teus erros, alegra-te pelos acertos.

45. Pratica integralmente todas estas recomendações. Medita bem nelas. Tu deves amá-las de todo o coração.

46. São elas que te colocarão no caminho da Virtude Divina.

47. Eu o juro por aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado.

48. Aquela fonte da natureza cuja evolução é eterna.

49. Nunca começa uma tarefa antes de pedir a bênção e a ajuda dos Deuses.

50. Quando fizeres de tudo isso um hábito,

51. Conhecerás a natureza dos deuses imortais e dos homens,

52. Verás até que ponto vai a diversidade entre os seres, e aquilo que os contém, e os mantém em unidade.

53. Verás então, de acordo com a Justiça, que a substância do Universo é a mesma em todas as coisas.

54. Deste modo não desejarás o que não deves desejar, e nada neste mundo será desconhecido de ti.

55. Perceberás também que os homens lançam sobre si mesmos suas próprias desgraças, voluntariamente e por sua livre escolha.

56. Como são infelizes! Não veem, nem compreendem que o bem deles está ao seu lado.

57. Poucos sabem como libertar-se dos seus sofrimentos.

58. Este é o peso do destino que cega a humanidade.

59. Os seres humanos andam em círculos, para lá e para cá, com sofrimentos intermináveis,

60. Porque são acompanhados por uma companheira sombria, a desunião fatal entre eles, que os lança para cima e para baixo sem que percebam.

61. Trata, discretamente, de nunca despertar desarmonia, mas foge dela!

62. Oh Deus nosso Pai, livra a todos eles de sofrimentos tão grandes.

63. Mostrando a cada um o Espírito que é seu guia.

64. Porém, tu não deves ter medo, porque os homens pertencem a uma raça divina.

65. E a natureza sagrada tudo revelará e mostrará a eles.

66. Se ela comunicar a ti os teus segredos, colocarás em prática com facilidade todas as coisas que te recomendo.

67. E ao curar a tua alma a libertarás de todos estes males e sofrimentos.

68. Mas evita as comidas pouco recomendáveis para a purificação e a libertação da alma.

69. Avalia bem todas as coisas,

70. Buscando sempre guiar-te pela compreensão divina que tudo deveria orientar.

71. Assim, quando abandonares teu corpo físico e te elevares no éter.

72. Serás imortal e divino, terás a plenitude e não mais morrerás.

Os Versos de Ouro da tradição pitagórica constituem um documento de valor inestimável. Os 72 versos, tal como sutras, foram colecionados a partir do texto de Hierocles de Alexandria, com base na versão em língua inglesa feita por N. Rowe em 1707, adotada hoje pela maior parte dos estudiosos da tradição pitagórica.

Gravidade e graça

‘Como uma máquina e como uma plataforma para a vida, o corpo humano é impecável. O único problema é que ele não leva você a lugar nenhum; ele brota da terra e retorna de volta para ela. Esses dois anseios — preservar e expandir — não são forças opostas.

Isso não é o suficiente? Em certo nível, isso é o bastante. Mas, de alguma forma, uma dimensão além da fisicalidade se infiltrou neste maravilhoso mecanismo. Essa dimensão é a própria fonte da vida. É isso que, realmente, nos faz ser quem somos. Em toda criatura, planta e semente, isso está em ação. Em um ser humano, essa fonte de vida é ainda mais magnificamente óbvia.

É por isso que os seres humanos parecem viver em uma luta constante entre o físico e a dimensão que está além. Embora você tenha a compulsão do físico, você também tem a consciência de ser mais do que simplesmente o físico.

Crie raízes e alcance o que está além

Existem duas forças básicas. A maioria das pessoas as considera conflitantes. Um é o instinto de autopreservação, que obriga você a construir muros ao seu redor. O outro é o desejo constante de expandir, de tornar-se ilimitado. Você não tem que se preocupar com a existência. Se preocupe apenas com a existência que você criou.

Esses dois anseios — preservar e expandir — não são forças opostas. Eles estão relacionados a dois aspectos diferentes da sua vida. Uma força ajuda você a se enraizar bem neste planeta; a outra leva você para mais além dele. Se você tem a consciência necessária para separar as duas, não há conflito. Mas se você está completamente identificado com o físico, então, em vez de trabalhar em colaboração, essas duas forças fundamentais se tornam uma fonte de tensão.

Todas as dificuldades da humanidade entre material versus espiritual nascem dessa ignorância. Quando você diz “espiritualidade”, você está falando de uma dimensão além da física. O desejo humano de transcender as limitações físicas é natural. A jornada do corpo individual baseado em limitações até a fonte ilimitada da criação — essa é a base de qualquer processo espiritual.

As paredes da resistência

Os muros de autopreservação que você constrói hoje, serão os muros do autoaprisionamento de amanhã. Esse é um ciclo sem fim. Mas a criação não está relutante em abrir-lhe as portas para o além. Você está lutando com as paredes de resistência que você construiu em torno de si mesmo. Robert Frost captou uma verdade profunda quando escreveu: “Existe algo que não ama parede”.

É por isso que o sistema yóguico não fala sobre Deus, alma ou céu. O yoga fala apenas sobre as barreiras que você criou, porque essa resistência é tudo o que precisa ser abordado. As paredes que lhe bloqueiam são 100% criação sua. E elas podem ser desmanteladas. Você não tem que se preocupar com a existência. Se preocupe apenas com a existência que você criou.

Gravidade e graça

Assim como a gravidade, a graça também está constantemente ativa. É só que você tem que se tornar receptivo a ela. Quando você o faz, de repente, você parece funcionar como mágica. Suponha que você fosse o único que pudesse andar de bicicleta, você começaria a parecer mágico para todos os outros! O mesmo acontece com a graça. Outros podem pensar que você é mágico, mas você sabe que está apenas começando a se tornar receptivo a uma nova dimensão da vida. Essa é uma possibilidade que todos devem perceber.

Se eu fosse usar uma analogia, eu iria justapor gravidade e graça. A gravidade está relacionada ao instinto fundamental de autopreservação em um ser humano. Estamos enraizados no planeta, neste momento, por causa da gravidade. A gravidade está tentando segurá-lo no chão; enquanto a graça está tentando elevá-lo. Se você está liberto das forças físicas da existência, a graça irrompe em sua vida.”

– trechos de ‘Engenharia Interior: o guia de um yogi para a alegria‘, de Jaggi Vasudez, Sadhguru – yogi, escritor, instrutor – Isha Foundation

Um trabalho humano e divino

‘Curo a minha família curando em mim a representação psicológica que tenho da minha infância, de minha mãe, meu pai, marido, filho, etc. Curo meu país e a humanidade cumprindo meus deveres e expandindo os níveis de honestidade, transparência e ética em minha vida. Isso se consegue avançando no autoconhecimento e no autoaperfeiçoamento.

Não estamos isolados do carma da humanidade, do país ou da família em que vivemos, mas temos o dever de não nos deixar levar pela correnteza. Mais do que sofrer a influência externa, devemos influenciar positivamente o que nos rodeia.’

    – Joana Maria Pinho

    Conscienciosidade


    Conscienciosidade de pensamento: a técnica preciosa.

    A principal causa de estresse para a maioria das pessoas decorre da ansiedade e das preocupações que elas mesmas geram; e, como o corpo reage igualmente a imagens mentais e sensoriais, aprender a monitorar e separar os pensamentos é um importante passo em direção à paz interior.

    Há uma técnica muito interessante, originária de uma tribo africana, que nos ensina sobre conscienciosidade de pensamento:

    Desde pequenas as crianças dessa tribo são treinadas de modo que estejam conscienciosas de seu pensamento. Se um indivíduo toma consciência de um pensamento pressagioso do tipo: “Oh não, e se houver um leão escondido atrás daquela árvore pronto para me devorar?”, ele aprende primeiro a reconhecer e depois abandonar o pensamento, admitindo para si: “Essa é uma história que não precisa acontecer!”

    Essa técnica não é para se livrar de pensamentos negativos nem se refere ao poder do pensamento positivo. Se um tipo de pensamento “agourento e melancólico” indutor de estresse aparece na mente, reconheça-o, não tente livrar-se dele, siga com ele ou mesmo analise-o. Simplesmente respeite-o e deixe-o passar.

    Essa meditação dinâmica sobre o fluxo de pensamentos também é útil no reconhecimento de que gostaríamos que algumas dessas histórias que espocam na mente acontecessem. Em resposta a um desejável cenário mental, podemos dizer: “E esta é uma história de cura!”, abençoando e energizando nossos pensamentos.

    Inspirado em ‘O Poder da Meditação’ – Joel e Michelle Levey

    Meditações para os dias da semana

    Cultivar a opinião correta
    Dar atenção aos processos que geralmente realizamos de modo descuidado e desatento. Prestar atenção nas próprias representações mentais. Só emitir pensamentos significativos. Aprender a distinguir o essencial do acessório, o eterno do efêmero, a verdade da mera opinião. Ao escutar o que diz o próximo, procurar ficar totalmente quieto interiormente e renunciar a todo consentimento e, principalmente, a todo julgamento negativo (crítica, rejeição), também em pensamentos e sentimentos.

    Cultivar o juízo correto, que não depende de simpatia nem de antipatia
    Até mesmo em relação às ações mais insignificantes, só tomar uma decisão com base numa ponderação plena e bem fundamentada. Todo procedimento impensado e toda ação irrelevante devem ser mantidos afastados da alma. Deve-se deixar de fazer aquilo que carece de um motivo significativo. Se estamos convencidos da retidão de uma decisão tomada, devemos nos ater a ela com toda a firmeza de ânimo.

    Cultivar a palavra correta
    Dos lábios de quem aspira a um desenvolvimento superior só deve emanar o que tem significado e importância. Todo falar só por falar – por exemplo para passar o tempo – é, nesse sentido, prejudicial. Devemos evitar o tipo comum de conversa em que se fala de qualquer assunto numa mistura inconsequente; por outro lado, não devemos nos excluir da convivência com nosso próximo. É justamente com o exercício dos diálogos atentos que os assuntos adquirem um caráter relevante. Apreciar não falar sem motivo. Apreciar ser silencioso. Apreciar ouvir com atenção e calma, e só depois se mover internamente.

    Cultivar a ação correta
    Quando nosso íntimo nos levar a agir, devemos ponderar cuidadosamente sobre a melhor maneira de corresponder ao bem, à felicidade duradoura e à essência eterna, em nós e em todos que são alcançados com a ação.

    Cultivar o ponto de vista correto
    Organizar a existência. Viver de acordo com a natureza e o espírito. Evitar o que traz inquietude e pressa. Não se precipitar nem ficar inerte. Considerar e honrar o mistério da vida. Proceder com compromisso. Aprender. Desenvolver sabedoria para servir, agir, trabalhar e evoluir.

    Cultivar a aspiração correta
    Perceber o anseio humano. Olhar para além do imediato e do dia a dia; fixar para si próprio metas e ideais relacionados com os deveres mais elevados da humanidade. Ter a opinião, o juízo, a palavra, a ação e o ponto de vista corretos como reflexões e impulsos presentes na experiência da vida de cada dia.

    Cultivar a memória correta
    Lançar um olhar retrospectivo às nossas próprias vivências: os ciclos que já vivemos, as circunstâncias que nos animaram ou desafiaram, as transformações que perduraram, as escolhas que fizemos, os significados que guardamos e as compreensões que habilitamos. Se fizemos algo de forma errada ou incompleta, isto será um motivo para fazer algo semelhante, numa ocasião posterior, correta e perfeitamente.

    Baseado nos exercícios de Rudolf Steiner

    Mantenha um coração gentil

    Dez preceitos:

    1. Não abrigue ódio ou ciúme em seu coração! Não dê origem a pensamentos sombrios! Seja reservado no discurso e prudente nas transgressões! Mantenha seus pensamentos na lei divina!

    2. Mantenha um coração gentil e não mate! Tenha pena e dê suporte a todos os seres vivos! Seja compassivo e amoroso! Esforce-se para trazer a redenção universal a todos!

    3. Mantenha a pureza e seja reservado em suas interações sociais. Não seja lascivo, nem ladrão, mas constantemente abrigue bons pensamentos! Sempre tire de si mesmo para ajudar os outros!

    4. Não fixe sua mente no sexo ou em dar origem à paixão! Não seja licencioso em seu coração, mas mantenha-se puro e comporte-se com prudência! Certifique-se de que suas ações estejam sem defeito ou nódoa!

    5. Não profira palavras de baixo calão! Não use linguagem floreada e ornamentada! Seja direto, dentro e fora! Não cometa excessos ao falar!

    6. Evite o que turva a mente! Modere seu comportamento! Regule e harmonize sua energia e natureza interna! Não deixe que o seu espírito seja diminuído! Não cometa nenhum dos inumeráveis males!

    7. Não seja invejoso se os outros são melhores do que você! Não batalhe pela conquista e fama! Seja recatado e modesto em todas as coisas! Coloque-se atrás para servir à salvação de outros!

    8. Não critique ou discuta as escrituras e ensinamentos! Não insulte ou difame os textos dos santos! Venere a Lei Divina com todo o teu coração! Sempre aja como se estivesse frente a frente com os deuses!

    9. Não crie distúrbios através de argumentação verbal! Não critique nenhum crente, sejam eles monges, freiras, leigos masculinos ou femininos ou até seres celestiais! Lembre-se, toda censura e ódio diminui seu espírito e energia!

    10. Seja equânime e ponha seu coração em todas as suas ações! Certifique-se de que todos os intercâmbios entre a humanidade e os deuses sejam adequados e respeitosos!’

    – Dez Preceitos segundo o Chishu Yujue (“Escrita Vermelha e Instruções de Jade”), codificado pela Tradição Lingbao (Tesouro Luminoso). Do livro Os Caminhos do Taoismo, Gilberto A. Silva, p.301 – http://laoshan.com.br/index.php/livros]

    O ermitão sábio

    Um dos monges do mosteiro cometeu uma falta grave, e chamaram o ermitão mais sábio para que pudesse julgá-la.

    O ermitão se recusou, mas insistiram tanto que ele terminou por ir.
    Antes, porém, pegou um balde e furou-o em várias partes;
    Depois, encheu-o de areia e encaminhou-se para o mosteiro.
    O superior, ao vê-lo entrar, perguntou o que era aquilo.

    – Vim julgar meu próximo, disse o ermitão. Meus pecados estão escorrendo detrás de mim, como a areia escorre deste balde. Mas, como não olho para trás e não me dou conta dos meus próprios pecados, fui chamado para julgar meu próximo!

    … E os monges desistiram da punição.